Aham, claro#5
Semana de moda masculina
A nova campanha da Balenciaga:
Na carona do início oficial das semanas de moda masculinas, Balenciaga postou sua primeira campanha - sob o comando de Pierpaolo Piccioli.
Fica clara a mudança de foco, de tempos e direcionamento, e acho eu, já dá um tom do que vai ser a temporada. O novo homem da Balenciaga é super possível. No pior sentido da palavra possível, que diz respeito à crível, plausível e o que é imaginável de um homem padrão. Um cara meio White Lotus, bem sucedido, vaidoso, que pratica esportes e exibe toda a sua riqueza e exuberância - tipo de anacrônico do que é masculino e já existe em outras 20 marcas.
A coleção é bonita, as roupas parecem ser boas, gera desejo, tem também essa - passabilidade - de esporte para o trabalho, com peças que misturam universos, como um anorak de couro amarelo. Mas, no fim do dia, parece roupa de diretor de marketing. Absolutamente o oposto do seu antecessor.
Demna trouxe um tipo de realismo para marca, e tinha a uma grande ironia nisso - vendia peças por preços caríssimos, que se recusaram a ser vistos como luxuosos - e foi esse o salto que ele deu para marca, atingindo novos públicos e fazendo a Balenciaga crescer exponencialmente na sua gestão, onde apresentou e insistiu em um homem que era então impossível de se imaginar naquele lugar.
Conversa com uma época e pega um fim da curva hipster de se apropriar de coisas e colocá-las em classes privilegiadas. Mas de forma irônica e claramente cínica, aqui no bom sentido.
Parece que isso se perdeu, nesse momento onde as nossas subjetividades são moldadas pelo algoritmo.
E aí, o único lugar onde a campanha é um pouco fora do padrão, é quando esse homem aparece no ônibus, com esse acabamento/produção em realidade aumentada, o que deixa evidente que aquele modelo foi colocado ali, sem nunca estar ali, novamente óbvio e descabido.
Espero que eu esteja errado e que essa semana e as ruas mostrem que de fato ainda existem muitas maneiras de ser e não ser homem hoje em dia.

